
Fevereiro, 08 2010 - Ano 01
"A Hora da Estrela", de Clarice, em audiolivro

Esther Lucio Bittencourt

Ouço. Agora. Estou a ouvir. Neste exato momento o audiolivro que a editora Rocco lançou em edição esmerada do livro "A hora da estrela", de Clarice Lispector.
Maria Bethânia leu a dedicatória e Pedro Paulo Rangel o livro inteiro.
Falta, falta, bom que Clarice não ouviu. Mas Clarice era tão simples, tão humana, que elogiaria. Falta pique, falta , e como! na leitura. Falta dinâmica, tempo e espaço e, quando estes existem são demasiados.
Que pena! Os baixos da voz são tão, tão baixos, exangues, que pouco se ouve. Palavras e letras são engolidas impunemente.
O que fizeram com Clarice pura emoção? Silêncios, pausas demasiadas ou ausência dos mesmos. A leitura velório me atormenta. Sinto necessidade urgente de ligar palavras umas às outras nas falas. Bethânia interpreta, tropeça em Schoenberg, mas onde está a urgência que a escrita de Clarice nos provoca?
Lastimo. Comprei ansiosa e decepciono na primeira ouvida. Pedro Paulo Rangel chia demasiado nos “s” e titubeia nas palavras iniciais. Lástima. Lástima. A entonação é pobre e claudicante.
Clarice não gostaria, mesmo simples e muito humana, não gostaria. Tenho certeza. Espero que este audiolivro não comprometa a leitura de sua obra.
Falta edição e direção no audiolivro do texto "A Hora da Estrela". Por enquanto, no que ouvi até agora. Quem sabe, mais tarde, posso gostar de alguma coisa!
**Serviço**
Livro: A HORA DA ESTRELA - Edição especial com áudio-livro
Sub Titulo: Edição especial com áudio-livro
Autor: Clarice Lispector
ISBN:85-325-2127-4
Páginas:120
Formato : 17x20
Preço : R$ 45,00
Mais informações no site oficial da autora:www.claricelispector.com.br
Ganha um prêmio quem adivinhar o que é isso
Ana Laura Diniz
. . . . . . . . . (é o sapato "mojito", criado por Julian Hackes, que vi no blog do meu querido Marcelo Coelho... que viu no site dezeen.)
Tipo assim... o inimaginável, enfim...
Ana Laura Diniz
Enfim... Marina quis acreditar no inimaginável. E se jogou de braços abertos, no escuro. Mas perdeu a noção. O chão foi duro demais. Ficou
O segredo que mata!
Manô Garcia
Ele me chamou no canto da escola. Gelei. Pensei: “Ai, é agora”. Uma das piores cenas da vida é alguém te chamar pra contar que é gay. É tão desnecessário. E ele armou todo um cenário, toda uma trama. Disse todo sem jeito, todo sem rosto, todo medroso, que se eu não quisesse mais ser amiga dele, ahá! ele sofreria, mas entenderia. E disse do dia que trombou com um coleguinha no jardim da infância, e ele só tinha seis anos, e se apaixonou pelos cachos loiros mais lindos que vira até então. Ele lembra detalhes. “Aos seis anos, juro, eu me vi gay. E assim me vejo até hoje.”
Eu disse: - Tá, e qual a novidade?!
Ele pasmou. Só ele achava que o mundo não sabia.
CRIANDO UM MONSTRO
Ana Manssour
ALMODÓVAR E O ACARAJÉ INDÍGENA!
Dorothy Coutinho
Alguns psicanalistas tiram ilações sexuais das agressões sofridas por personagens vividos nas telas de cinema, a partir de quem os produziu.
GOVERNO DE MINAS PARALISA MAIS UMA VEZ EXPLORAÇÃO DE ÁGUA MINERAL
Esther Lucio Bittencourt
A água mineral Caxambu que é explorada aqui, na cidade de Caxambu, no sul de Minas Gerais, patrimônio histórico-cultural do estado, - explorada desde 1762- era envasada e a comercializada pela subsidiária “águas minerais de minas”, criada pela Copasa, companhia de saneamento de Minas Gerais.
No dia 31 de dezembro de 2008, todos os funcionários foram demitidos e o envasamento encerrado. A Copasa deverá ser privatizada e, para isto, foi dividida em várias empresas menores.
O prefeito que tomou posse no dia 1º de janeiro, Luiz Carlos Pinto, mal assumiu e encontrou, dentre muitos, mais este problema.
Segundo ele, "no início da semana que entra tudo deverá estar solucionado e os trabalhadores serão readmitidos. Uma nova empresa, também do governo do estado de Minas, após assinatura de contrato, reiniciará a exploração e o envasamento das águas."
COPASA
No dia 23 de dezembro de 2008, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves autorizou a Copasa a contratar prestadoras de serviço.
Nova lei autoriza Copasa a contratar prestadoras de serviço
(http://www.almg.gov.br/Not/BancoDeNoticias/Not_723866.asp)
Foi sancionada e publicada no Minas Gerais desta terça-feira (23/12/08) a Lei 17.945, de 2008, que altera a Lei 6.084, de 1973, que dispõe sobre a Companhia Mineira de Águas e Esgotos (Comag). A nova norma, originada do PL 2.164/08, de autoria do governador, que tramitou este ano na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, tem como objetivo adotar medidas de interesse público que facilitem o trabalho da Copasa no que se refere ao saneamento básico do Estado.
Entre as mudanças previstas, destaca-se a possibilidade de a empresa "utilizar recursos e pessoal próprios ou de terceiros". Outra mudança proposta permite que a Copasa participe minoritariamente de outras empresas com objetivos sociais semelhantes ou correlatos, mediante a aprovação de seu conselho de administração. Pelo texto na norma, a Copasa poderá contratar prestadora de serviço ou executora de obras a qual não tenha como objeto social a prestação de serviços de saneamento. A lei inclui ainda procedimentos a serem adotados pela Copasa.
"Considerada uma das melhores águas do mundo, é uma água gourmet por excelência, com uma capacidade natural de ampliar a sensibilidade do paladar, auxiliando na percepção dos sabores de pratos e vinhos.
Produzida na tradicional estância da cidade de Caxambu, na região Sul de Minas, essa água mineral é patrimônio histórico-cultural do Estado. Explorada desde 1762, é referência no mercado de águas premium.
A água Caxambu brota do solo de Minas, naturalmente gaseificada, depois de percorrer um longo caminho subterrâneo que dura, em média, 500 anos. Durante esse período de maturação, ela passa a adquirir propriedades terapêuticas, incorporando minerais e características físico-químicas só possíveis em uma região tão rica nesses elementos."
MAMMA MIA! QUE DECEPÇÃO...
Ana Laura Diniz
Tudo bem que o musical é embasado na obra do Abba. Tudo bem que eu não seja fã do grupo, e lembrasse de pronto somente a clássica Dancing Queen e Voulez-Vous. Mas com Meryl Streep no elenco, ignorei esta primeira parte e investi meu tempo no filme. Primeira sensação: tempo completamente perdido. Enquanto assistia, sorria pasmada com a falta de amarração de roteiro, de quebras entre os textos e as músicas e, o pior, interpretações repletas de clichês. Nem mesmo Meryl Streep escapou de apontar os dedos para baixo quando a música se referia ao chão ou à terra ou algo do gênero. Senti que faltou direção; principalmente que correspondesse ao peso da equipe, que conta também com Colin Firth, Stellan Skarsgard e o charlatão Pierce Brosnan, que mesmo dançando vestido a la brilhantina, parecia ter James Bond encarnado na pele.
Ah, decepção. E total questionamento acerca de Meryl Streep ter aceitado fazer o filme. Ela interpreta Donna, mãe de Sophie, que está prestes a se casar com Sky, seu grande amor. Frustrada por nunca ter conhecido seu pai, a garota lê o diário de sua mãe e depara com a história de três romances juvenis. Qual deles terá sido com o seu pai? Na tentativa de obter a resposta, Sophie, sem Donna imaginar, envia o seu convite de casamento a cada um deles. A partir daí, a trama está armada e segue num ritmo fantasioso e por vezes cansativo.
Sophie descobre seu verdadeiro pai? Donna fica feliz em rever os três homens que permearam o seu passado? Donna fica brava ao se dar conta da armação da filha? É preciso ver para saber. Se não gostar igualmente do enredo, poderá ao menos ter a certeza de uma fotografia - a trama tem a Grécia como cenário - e iluminação impecáveis.
É, eu não gostei do filme. Mas ontem resolvi assistir aos extras disponíveis, na tentativa de descobrir porque Meryl Streep aceitara participar, e fiquei com a vontade de rever para tentar encará-lo sob a óptica da atriz, que se mostra na obra absolutamente jovem, bonita e com ar brejeiro. Segundo ela, já havia visto a montagem original da peça na Broadway e nem titubeou ao ser convidada a interpretar Donna. “É um filme onde a fantasia existe e foi divertido fazê-lo”. Na última cena do filme, fica clara essa frase, mas senti falta da atriz encarnando um punch como no lendário “Lembranças de Hollywood”. Em outras poucas passagens também, tendo apenas dois momentos que é possível sentir alguma comoção. A verdade é que tinha muita Meryl Streep, muito Colin Firth e Stellan Skarsgard para pouco papel. “Mas foi divertido”, repetem os atores participantes em todo making of. Que bom! Ao menos, percebam, alguém se divertiu.
Álbum de família
Adelaide Amorim
Histórias em um bar
Lilian Zaremba
Muitas histórias começam em um bar. Essa também.
Um tesouro de riqueza inesgotável porque cada pedra preciosa resulta em incontáveis dilapidações. John Lee Hooker é uma dessas pepitas mais recentes, a reinventar o Honky Tonk e o Boogie.
Procura-se o olhar de Anne Bancroft
Ana Laura Diniz
Uma esmola pelo amor de Deus
Ana Laura Diniz
A porta do metrô fechou e uma mulher gritou por qualquer centavo ou real. O rapaz que sentava perto falou impaciente: "pô, é o terceiro dia seguido que essa mulher entra pra pedir dinheiro". Gabriel Carvalho Simões, 19 anos, estuda num famoso cursinho de São Paulo e sonha em ser advogado. "Não é para ser rico. É que ainda acredito no futuro do País”. Soltou a frase com olhar de reprovação para a mulher, que repetia incessantemente a mesma fala. “Você viu? Se ela tiver 35 anos, é muito. Pô, vai trabalhar! Pedir dinheiro é muito fácil. Vai arar uma terra, colher feijão, fazer uma faxina, sei lá”, completou.
Gabriel então contou que a sua família tem um sítio pelas bandas de Monteiro Lobato, no interior paulista, e que o terreno faz divisa com um dos caras que há cinco anos era o mais pobre da região, o Joca. "Ele saía nas ruas pedindo dinheiro igual a essa mulher, mas sem sucesso, e com dois filhos pra criar, começou a catar papel nas ruas. Logo percebeu que as pets e as latas de cerveja e de refrigerante revertiam até em mais dinheiro. Pô, o cara não apenas deu a volta por cima como agora muitos o chamam de empresário". Profissão: catador.